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Reformar Seguros

Como avaliar vieses da IA antes de implantar.

Uma seguradora de saúde europeia, com 4,8 milhões de segurados em sete países, ia implantar uma IA para apontar fraude nos reembolsos. A fraude anual era estimada em €82 milhões e crescia 8% ao ano. O modelo já estava validado tecnicamente, com precisão projetada de 78%.

Simulação rodada pela Imagine All The People, na França, para a seguradora, que não é nomeada. A imagem é uma ilustração.

Decisão
Implantar ou não uma IA preditiva para detectar fraude.
População
2,2 milhões de segurados, em 17 perfis de atitude diante de controles.
O que foi testado
11 configurações do sistema, com 5.200 segurados sintéticos entrevistados.
Horizonte
24 meses de efeitos na operação e na reputação.
Salão de tratamento de correspondência visto do alto: esteiras levam bandejas de envelopes brancos, e uma delas é desviada para uma mesa, onde uma pessoa de costas a recebe.

O problema.

Faltava decidir como o score de risco vira decisão: ponto de corte do alerta, grau de automação, aviso ao segurado, contestação e governança. O modelo aprende padrões dos dados históricos. Alguns descrevem fraude; outros descrevem uma doença crônica, uma mudança de vida, uma idade ou um jeito de preencher formulários. Quando o ponto de corte faz desse sinal um controle, a questão passa a ser uma decisão sobre uma pessoa.

O que foi testado.

O modelo é o mesmo nas 11 configurações; mudam seis pontos em volta dele.

  1. Ponto de corte do alerta: único para todos, ou diferente por perfil de segurado.
  2. Grau de automação: o alerta resolvido automaticamente, ou um analista sempre na decisão.
  3. Aviso ao segurado: nenhum, um aviso de controle de rotina, ou a explicação do sistema e do motivo.
  4. Contestação: nenhuma, ou revisão formal por um analista em até 15 dias, com resposta fundamentada.
  5. Governança ética: comitê criado depois das primeiras crises, ou antes da implantação, com compromissos publicados e auditoria externa.
  6. Reavaliação do modelo: implantado uma vez, ou com revisão trimestral dos indicadores de viés e retreinamento com dados recentes.

A simulação fazia novas perguntas a cada segurado sintético sobre a percepção do controle, a sensação de suspeita injusta e a contestação.

O que a simulação mostrou.

  • Simulação3 perfis concentravam 62% dos falsos positivos, os alertas de fraude indevidos, e somavam 8% dos segurados. Eram eles: doença crônica rara com tratamento fora do padrão, mudança de situação profissional ou familiar e idosos com uso intenso de serviços de saúde.
  • Simulaçãoo controle sem aviso teve 34% de satisfação com o pedido aprovado e 12% com o pedido negado. Explicado, com o motivo e o direito de contestar, teve 72% e 51%.
  • Simulaçãocom a mesma precisão do modelo, a satisfação média foi de 24% sem revisão por um analista. Com contestação formal em até 15 dias, foi de 68%.
  • Simulaçãopontos de corte por perfil, mais tolerantes nos três perfis sensíveis e mais rígidos nos outros, reduziram os falsos positivos em 62%. A detecção de fraude não piorou, e o custo da análise humana caiu 34%.
  • Projeçãocom os pontos de corte por perfil, risco de reputação 78% menor.

A decisão.

O comitê de ética da seguradora escolheu a configuração que se saiu melhor na comparação. Ela combina pontos de corte por perfil, aviso com explicação e contestação revista por um analista em até 15 dias. A governança veio antes da implantação: um comitê permanente com associações de usuários, compromissos publicados e auditoria externa anual. O modelo passou a ser reavaliado de forma contínua. A condição para implantar era o sistema ser auditável, com relatório público dos indicadores de viés e de falsos positivos.

Depois da implementação.

O case não traz resultado medido depois da implantação.

O que o case mostra.

Com a mesma precisão, o que mudou a experiência dos segurados foi a decisão em volta do modelo: ponto de corte, explicação, contestação e governança.

Quero fazer um piloto

Como foi feito.

A população foi calibrada com dados públicos franceses, de estatística, de saúde e do setor de seguros, e com dados da seguradora. Entraram perfis de segurado, histórico de uso de serviços de saúde e de fraude documentada e estrutura demográfica. Segundo a Imagine All The People, nenhum dado que identifique uma pessoa entrou no sistema, e os resultados detalhados são da seguradora. As comparações publicadas são qualitativas e não são auditoria do algoritmo nem avaliação de compliance. A simulação torna as configurações comparáveis; a escolha é da seguradora.

Original em inglês: “Predictive AI and fraud: testing bias risks before deployment”, Imagine All The People, imagineallthepeople.io/en/cases/predictive-ai-fraud-bias, consultado em 27/10/2026. Tradução e resumo da MAGNYN.